1.26.2009

Esqueça o Relógio: Recupere o Seu Tempo


Todos vivemos as nossas vidas à volta do relógio. Acordamos sempre a uma certa hora, trabalhamos segundo um calendário e avaliamos o nosso desempenho pela quantidade de tempo que levamos a fazer as coisas. Mais coisas em menos tempo = bom desempenho. Necessitamos de mais tempo? Não conseguimos cumprir os prazos? Inaceitável.

Mas não é só o relógio que nos provoca ansiedade, é basear o nosso valor pessoal no quanto produtivos somos. Temos esta falsa crença de que se conseguirmos fazer tudo, vamos ficar bem. Depois disso, podemos finalmente ser felizes, certo? Infelizmente, esse momento nunca chega.

Vamos acabar sempre por encontrar mais coisas para fazer, por querer trabalhar em mais projectos, pensar em mais formas de melhorar e optimizar. Mas quando baseamos a nossa felicidade na concretização, então aderimos ao culto da produtividade. Ser produtivo deixa de ser um meio para atingir um fim. É o fim em si mesmo. E é uma doença.

Aqui estão alguns sinais que apanhou o vírus da produtividade

• Incapacidade de se sentar por longos períodos de tempo a jogar, a preguiçar ou passar o tempo com amigos.

• Esquecer-se da sua agenda em casa faz com que fique com suores frios.

• A falta de um plano de acção detalhado induz-lhe visão turva, falta de concentração, e ansiedade.

• Sente que a poupança de tempo é um grande realização. Esvaziar a caixa de entrada de e-mail em menos de 40 segundos do que ontem, é motivo para uma grande comemoração.

• Considera que pintar, deitar-se na praia, e outras actividades sem base no tempo são um pecado contra a produtividade.

Parte da razão para essa obsessão com a produtividade é que pensamos que tempo é dinheiro. Mas o tempo não é dinheiro. Tempo é vida.

Existe certamente uma necessidade de produtividade e de realização de objectivos. Sem eles, seria tudo muito mais aborrecido. Mas o problema é que pensamos que produzir mais é a resposta.

Queremos pedaços de felicidade e rajadas de satisfação. Quando vamos a um parque temático insistimos andar em tudo. Vamos em viagem e queremos ver o máximo de atracções e monumentos possíveis. Tentamos agendar na nossa semana tantos compromissos e tarefas, quanto possível. Tudo isto é feito com o pensamento de que um dia, mais tarde, podemos relaxar.

Se fazer mais não é a resposta, talvez fazer menos seja. Talvez o melhor seja desacelerar o suficiente para realmente desfrutar a experiência. Talvez seja preferivel acalmar o suficiente para se conseguir lembrar o que fez há dois dias atrás, sem ter de consultar a agenda.

Com a tecnologia, podemos fazer as coisas mais rápido do que nunca. Portanto, não é suposto isso resultar em mais tempo livre e aumento da felicidade? Se assim for, por que é que a maioria de nós sente que, quando não estamos a fazer algo produtivo, estamos desconfortaveis? Porque é que quando o nosso tempo não é estruturado, nos sentimos culpados?

É importante que nos recusemos a viver nossas vidas com base numa medida arbitrária. Mas também penso que é importante perceber como chegámos aqui. Penso que é possível que a nossa busca da felicidade na produtividade, é em grande parte devido a uma falta de capacidade de encontrar satisfação no momento presente.

Aqui estão algumas sugestões para reconquistar o controlo do seu tempo:

1. Manter o equilíbrio. Certamente que vão haver sacrifícios na vida que temos de fazer para o futuro. Às vezes temos que usar trampolins para construir o nosso caminho para o sucesso. Às vezes, temos de trabalhar num sitio que não gostamos, a fim de estabelecer ligações para chegar àquilo que queremos. Às vezes precisamos de trampolins. Mas temos de tentar manter um equilíbrio entre os objectivos de longo prazo, e as coisas que nos fazem felizes agora.

2. Mantenha a perspectiva. Às vezes, é preciso abandonarmos metas que já não nos são úteis ou deixam de fazer sentido. Ter a coragem de deixar um objectivo com que já não se identifica é positivo. O que mais importante é que se mantenha fiel a si mesmo.

3. Objectivos futuros. Os sacrifícios que está a fazer agora são parte de um objectivo maior? Os nossos objectivos a longo prazo devem permitir-nos ter mais tempo livre para fazer aquilo que queremos no futuro, e não criar mais stress. Se o stress supera os benefícios, o mais provável é que seu objectivo não seja autêntico e seja apenas para lhe satisfazer o ego.

4. Diga não. Quantas vezes diz que sim a um compromisso quando realmente quer dizer não? Muita da nossa liberdade é roubada simplesmente porque somos incapazes do egoísmo de reclamar o nosso tempo .. Perceba que só pode fazer certas coisas. Não serve de nada ajudar uma centena de pessoas se isso o torna infeliz. Isso não é um bom exemplo para os outros.

5. Aumentar a sua produtividade aumenta a sua felicidade? Se consegue fazer muitas coisas, mas não arranja mais tempo para o que deseja fazer, algo está errado. O objectivo de se ser produtivo não é ter mais tempo para fazer ainda mais coisas, trata-se de ter mais tempo para as coisas que realmente gosta de fazer.

6. Abrande. Irá desfrutar o seu tempo muito mais se não estiver constantemente com pressa. Pense que o que está a fazer é a única coisa que existe neste momento no universo. Este estado de concentração vai fazer com que aproveite mais o que está a fazer, e também o torna mais eficaz.

7. Esteja presente. Nós aproveitamos melhor o tempo quando estamos "lá." Ou seja, estamos completamente perdidos no tempo. Não estamos a pensar no que estamos a fazer, estamos apenas a fazer. Estamos apenas a fluir.

8. Siga os seus ritmos naturais. Temos a tendência de tentar forçar-nos a ser produtivos, mesmo quando estamos com vontade de relaxar. Ao fazer isso, acabamos por ir contra nós mesmos. Tente prestar atenção ao seu ritmo natural. Quando sentir vontade de ser produtivo, seja. Quando sentir vontade de relaxar, não deixe para depois. Não fazer nada não é um crime. É essencial.

Se pudermos aprender a ser mais contidos, a produtividade pode ter mais significado. A nossa produtividade pode ser o resultado da nossa felicidade. Não o inverso. Cultive o significativo da produtividade e começe a valer o seu tempo.

Lembre-se, o tempo não é dinheiro. Tempo é vida.





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