1.26.2011

Ser Mais com Menos

Siga-me no Twitter e Facebook

.Menos é mais
Mies van der Rohe

Lições sobre MENOS

Quando eu tinha 16 anos, eu queria mais. Quando eu tinha 24, eu queria ainda mais. Por isso eu trabalhei bastante, ganhava mais, e gastava mais, para ter mais, e devia cada vez mais. Chegava ao fim do dia exausta, e acordava cansada quase todas as manhãs. Eu andava a mil à hora, sempre atrasada, e o trabalho começou a acumular-se demasiado. Soa-lhe familiar?

Eu pensava que tudo o que estava a fazer era para poder ter uma vida melhor. Eu achava que o que estava a fazer era o normal, o correcto. Estava tão acostumada a receber contas, e a sentir-me esgotada, que nem percebia que algo estava errado. Então, como eu passei de querer mais, mais e mais, a desejar menos? Eu gostava de poder dizer que acordei uma manhã uma pessoa mudada, mas não foi assim que aconteceu. Mesmo que eu tivesse começado a fazer pequenas mudanças, eu precisava de um sinal de alerta ... e tinha que ser bastante alto.

Em Julho de 2006, fui diagnosticada com esclerose múltipla. Esse foi o meu despertar, e dizer que foi forte é um eufemismo. O diagnóstico foi bastante traumático. Eu não sabia o suficiente sobre a doença para saber o que fazer. E o pouco que sabia era o suficiente para ficar realmente muito asustada. Eu tinha tantas perguntas. Será que poderia voltar a fazer ski com a minha família? Eu seria capaz de ajudar a minha filha nos trabalhos de casa? Será que eu ainda conseguiria andar passado um ano?

Ninguém tinha respostas para todas estas perguntas, por isso eu tive que me concentrar no que era mais importante: a minha saúde, e a minha família. Nada mais importava. Se eu tivesse continuado à procura das respostas para todas aquelas perguntas, e a pensar constantemente na doença, cheia de medo, a minha filha e o meu marido teriam ficado ainda mais preocupados. Eu apercebi-me de que, se eu começasse a pensar de forma diferente, eles também o fariam. As minhas perguntas passaram de, "O que é que esta doença vai fazer com o meu corpo e a minha mente?" Para "Como é que eu vou para reverter a E.M.?

A resposta para a minha pergunta foi a mudança. Pequenas alterações e grandes mudanças foram necessárias para me tornar a melhor versão possível de mim própria. Quando comecei a fazer estas mudanças na minha vida, eu não sabia que elas levariam ao minimalismo, mas foi isso que aconteceu. De facto, ao mesmo tempo que estas alterações iam lutando contra a esclerose multipla, elas também foram redefinindo toda a minha vida. As alterações que fiz não são essenciais na vida de um minimalista, mas todas elas são essenciais para o meu estilo de vida minimalista.

O que eu fiz para mudar minha vida:

Tornei-me vegetariana. Há pesquisas que mostram que, em pacientes com esclerose múltipla, bem como com outras doenças auto-imunes, comer menos gorduras saturadas contribui para uma melhoria na saúde. (Eu acredito que isso é verdade para quase todas as condições.) Deixar de comer carne era uma das melhores maneiras que eu tinha para realmente conseguir fazer algo telativamente ao meu novo diagnóstico. Eu parei de comer carne para conseguir melhorar a minha saúde.



Quando comecei a minha jornada vegetariana, comecei a ler sobre o assunto. Li livros sobre criação de animais para abate, e sobre a criação em massa. Aprendi qual o impacto que estas nossas acções têm no nossos corpos, nos animais e no planeta. Eu abri os olhos, e ao perceber a forma como a carne chegava até meu prato, isso fez-me perder o apetite e a vontade de a consumir. Tornar-me vegetariana iniciou-se por motivos de saúde, mas o que me fez mudar realmente foi a compaixão.

Apaixonei-me pelo Yoga. Praticar Yoga dá-me força, flexibilidade, concentração, paz de espírito e segurança. Quero manter meu corpo forte, e a minha mente calma e concentrada para poder combater a doença e cuidar da minha família. Se por um lado procuro ter menos, por outro quero ser mais sensível e amorosa, mais adaptável e mais resistente. O Yoga dá-me tudo isso.

Livrei-me da minha tralha. Dantes gostava bastante de objectos decorativos, mas com o tempo aprendi a adorar ter uma superficie vazia, livre de objectos desnecessários. É preciso experimentar para perceber como a desordem afecta a nossa vida e nos tira liberdade e criatividade. Lembro-me disso de que cada vez que entro na minha cozinha e, em vez de encontrar uma bancada desarrumada, vejo a luz do sol a entrar pela janela. Eu ainda estou a meio deste processo de largar as coisas, mas sinto-me mais leve a cada dia.

Decidi viver sem dividas. Nunca deve ter pensado como a sua conta bancária pode afectar sua saúde, mas se pensar no stress que o dinheiro pode causar, e que o stress o pode por doente, faz todo o sentido pensar que a má gestão do dinheiro pode dar origem a uma saúde debilitada. O meu marido e eu tomámos a decisão de acabar com as dividas, e pagámos as nossas dividas este Verão, à excepçãodo crédito da nossa casa. O que vamos fazer com o nosso dinheiro, agora que não temos quaisquer pagamentos mensais? O que quisermos.

Aprendi a desligar o telefone. Eu não atendo o telemóvel quando estou a conduzir. Eu não escrevo mensagens nos semáforos nem faço chamadas ao conduzir estradas com pouco movimentadas. Lembro-me muitas vezes de chegar ao meu destino e não me lembrar de como lá tinha chegado, porque eu estava tão concentrada numa chamada telefônica. Admitir que ao fazer isso poderia estar a arriscar a minha vida e a vida de outros não foi fácil, mas foi necessário, por isso comprometi-me a deixar de usar o telefone no carro.

Outra vantagem é que agora, quando vou buscar a minha filha à escola, ela tem toda a minha atenção. Ela não tem de competir com clientes ou com problemas das minhas amigas ou outras distrações. Eu estou presente para ela.

Redefini o que é melhor. Como mencionei antes, todos os meus maus hábitos deviam-se a meu desejo de querer algo melhor, algo mais. Nas alterações que fiz, tornou-se necessário redefinir o que melhor significa para mim e para a minha família. A saúde e a felicidade do meu casamento e da minha família vem antes de tudo. Eu e o meu marido decidimos que "mais" não é a resposta certa para nós.

Agora, aos 41 anos, tudo mudou para sempre, estou praticamente sem sintomas, estou a tornar-me eu própria. Eu sei que ainda não resolvi tudo, mas esou contente. Eu não faço tantas coisas como antes. Eu não vou fazer nenhuma grande viagem este ano, ou fazer qualquer compra grande, mas não tenho dúvidas de que estou mais feliz. Menos deixa-me amar mais profundamente e menos deixa-me ser realmente eu.

As minhas tomadas de consciência tornaram-se mais subtis, mas como tenho o tempo e espaço para prestar atenção, eu ouço-os alto e bom som. Eu estou pronta para ouvir, e pronta para mudar.

A maior lição que eu aprendi é que menos é o suficiente. Claro, eu ainda estou a aprender, ainda é um trabalho em curso, mas agora é minha vez de inspirar mudanças com a minha história.

Nota do Editor: Este é um post convidado de Courtney Carver de Be More with Less




1 comentário:

  1. Por varias vezes tentei ser vegetariano pelos mesmos motivos de compaixao, eh como se eu sentisse a dor dos animais por cada vez que comia frango (a unica carne que como), mas devido a minha falta de conhecimento acerca da nutricao vegetariana, sentia-me fraco ao longo dos meses, entao recai para a carne e assim umas outras vezes :/
    Em relacao ao artigo, foi muito bom e eh sempre uma boa experiencia de vida que todos devemos de aprender, que as coisas mais importantes nao se adquirem, sao inatas e ja as possuimos por natureza (filhos, familia, etc etc)
    Muitas felicidades para a familia :-)

    ResponderEliminar